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MP obtém condenação de casal que esquartejou filhos em Ribeirão Pires

O Ministério Público conseguiu a condenação daquele casal que esquartejou seus filhos em Ribeirão Pires.


O Tribunal do Júri de Ribeirão Pires condenou, no final da tarde desta quinta-feira (16), Eliane Aparecida Antunes Rodrigues e João Alexandre Rodrigues às penas de 59 anos e seis meses de reclusão e 10 meses de detenção, e de 67 anos e um mês de reclusão e oito meses de detenção, respectivamente, pelas mortes das crianças Igor Geovani e João Victor, em 2008. Os meninos, filhos de João Alexandre, foram mortos na residência do casal e tiverem os corpos queimados e depois esquartejados.
Os dois acusados foram condenados por duplo homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa da vítima, emprego de meio cruel e para assegurar a ocultação de outro crime).
João Alexandre recebeu pena maior que Eliane, com quem vivia maritalmente, porque cometeu o crime contra descendentes. A defesa de João pediu a desqualificação dos crimes para duplo homicídio culposo, apesar de o réu ter negado a autoria durante o julgamento, que durou dois dias. Ele alegou ter sido torturado para confessar os crimes, mas o Ministério Público demonstrou às sete juradas que os depoimentos dele na Delegacia de Polícia foram acompanhados por uma irmã do réu e por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Diante do juiz, Eliane afirmou que João Alexandre matou sozinho as duas crianças. Segundo ela, seu companheiro esquartejou os corpos e a obrigou a retirar as vísceras, a colocar as partes dos corpos em cinco sacos plásticos e a se livrar dos sacos, que foram jogados na frente da casa.
Atuou no Tribunal do Júri o promotor de Justiça Abner Castorino.

Relembra a notícia.
Um segurança é suspeito de ter assassinado seus dois filhos com a ajuda da madrasta no final da tarde de sexta-feira, na Vila Aurora, em Ribeirão Pires.
Os corpos de Igor Giovanni, 12 anos, e João Vitor dos Santos Rodrigues, 13, foram encontrados na madrugada de sábado. Os dois irmãos teriam sido sufocados com sacos plásticos em casa pelo pai, João Alexandre Rodrigues, 39, que depois teria queimado e esquartejado os corpos com a ajuda da madrasta das crianças, Eliane Aparecida Antunes Rodrigues, 35, com quem os dois meninos teriam um relacionamento ruim.
As partes dos corpos foram embaladas em cinco sacos e deixadas junto ao lixo doméstico em dois locais diferentes da Rua Cândido Mota, no Centro de Ribeirão Pires, onde vivia a família.
Na madrugada de sábado, um dos lixeiros que faziam a coleta no bairro percebeu uma das partes dos corpos dos garotos quando foi compactar os sacos de lixo no baú do caminhão. "Vi um pé e pensei que era de uma boneca. Nunca poderia imaginar que seria de uma criança", lamentou assustado Jailson José de Assis Evaristo.
O motorista do caminhão, Liordino Teixeira Santos, custou a acreditar no que estava acontecendo. "Doze anos trabalhando com lixo e eu nunca vi nada assim."
Os lixeiros foram à delegacia, onde descobriram mais partes das duas crianças dentro do caminhão. O restante foi encontrado quando o veículo de coleta já estava no aterro sanitário.
A polícia chegou aos prováveis autores do crime porque dois guardas civis municipais desconfiaram de que os corpos encontrados poderiam ser de dois irmãos que tinham pedido ajuda para eles na base móvel da guarda na última quarta-feira.
"Eles apareceram à noite dizendo que a madrasta havia dado dinheiro para eles sumirem de casa, só que os dois tinham gastado tudo", revelou um dos GCMs.
Ainda de acordo com o guarda, os irmãos pediam para voltar a um abrigo em que haviam estado por um ano devido a problemas familiares.
Os guardas levaram os garotos à delegacia, que entrou em contato com o Conselho Tutelar. A entidade teria recomendado que os garotos voltassem para a família e assim os policiais o fizeram.
"Eles insistiam em voltar para o abrigo. Não queriam ir para casa de jeito algum", relatou um dos guardas.
A irmã do pai dos meninos, Magali Santos Melo, disse que os garotos a procuraram na última quarta-feira.
Com o encontro dos corpos, os GCMs sugeriram ao delegado de plantão que fosse até a casa da família. "Quando chegamos, a madrasta estava nervosa. Disse que os meninos tinham ido para a escola e não voltaram. Encontramos, no quintal, manchas de sangue e marcas de fogo. São indícios muito fortes", disse um dos guardas.
Eliane foi presa por volta das 3h. À polícia, a madrasta acusou o marido e disse ter somente ensacado os corpos.
O pai foi detido por volta das 6h30, quando chegava do trabalho. Ele é segurança em uma empresa de São Bernardo, nega o crime e ainda não havia prestado depoimento até o fechamento desta edição. O delegado seccional de Santo André, Luiz Carlos dos Santos, disse que já pediu a prisão temporária do casal.
Assassinatos chocaram vizinhança e policiais
As mortes de Igor e João Vitor causaram espanto e revolta entre os moradores da Rua Cândido Mota. Entre eles, a vizinha Kátia Oliveira dos Santos, que conhecia os meninos desde pequenos.
A educadora conta que chegou do trabalho por volta das 19h de e ouviu Eliane, a madrasta dos garotos, lavando o quintal. "Estou passada. Não consigo acreditar no que aconteceu. Minutos antes de eu chegar, minha filha viu sinal de fogo na casa deles", diz Kátia.
Ela afirma que as brigas na residência dos vizinhos eram freqüentes e envolviam quase sempre os irmãos e a madrasta. "Ela sempre batia nas crianças", dispara.
Outro vizinho, o motorista Claudinei Silva Cunha, também se diz perplexo com o crime e afirma que sempre teve bom relacionamento com Igor e João Vitor. "Eu jogava bola com eles, até videogame", lamenta.
A revolta pela violência do crime choca até mesmo os profissionais da segurança. "Dá um sentimento de impotência. Se a gente pudesse prever o que estava para acontecer teríamos levado os dois para um abrigo ou qualquer outro lugar", diz um dos guardas que conversaram com os irmãos na última quarta-feira.
O delegado seccional de Santo André, responsável por Ribeirão Pires, Luiz Carlos dos Santos, não conteve a indignação com o assassinato. "Sou pai e avô. É difícil ver uma situação dessas."
MÃE - A mãe das crianças, Cláudia Lopes dos Santos, chegou chorando à delegacia. Embora não visse os filhos há dois meses, ela disse não sentir culpa, pois achava que o ex-marido cuidaria bem dos filhos.
Conflitos faziam parte da rotina familiar
Dificuldades de relacionamento entre a família Rodrigues não eram recentes.
A primeira queixa feita à polícia pelo Conselho Tutelar, em 2005, tratava de abandono das duas crianças.

Na época, os irmãos Igor Giovanni e João Vitor dos Santos Rodrigues tinham 8 e 9 anos de idade e passavam a maior parte do tempo sozinhos. O pai, João Alexandre Rodrigues, que já começava a se relacionar com a madrasta dos garotos, Eliane Aparecida, passava mais tempo na casa da namorada do que cuidando dos próprios filhos.
Os meninos eram obrigados a se virar sozinhos para comer, realizar os afazeres domésticos e ir à escola. Na ocasião, a madrasta foi condenada a prestar serviços à comunidade.
Mais tarde, os quatro passaram a viver juntos e a relação conflituosa continuou.
Em 2007, um novo boletim de ocorrência envolvendo a família. Desta vez, pai e madrasta procuraram a polícia para registrar o desaparecimento dos dois meninos.
Neste mesmo ano, os irmãos foram encaminhados pelo Conselho Tutelar ao Abrigo Novo Rumo, de Ribeirão Pires, onde permaneceram até o primeiro semestre de 2008, quando a Justiça determinou o retorno deles para casa.
Contudo, desde o final de 2007 a coordenação do abrigo sugeria que os garotos voltassem ao convívio familiar, mesmo com as crianças demonstrando desejo contrário. Durante uma fase da vida, os irmãos foram acolhidos pela tia, Magali Santos Melo, 45 anos, que é irmã de João Alexandre Rodrigues.
Os dois viveram com a família de Magali por cerca de dois anos. O convívio com as duas crianças era bastante harmonioso, segundo a tia.
"Eu não sabia que estava mandando os meninos para a morte. Hoje perdi uma parte de mim", desabafa Magali, que há cinco dias recomendou aos garotos que voltassem para casa.
O tio das crianças, Antônio Carlos Melo, marido de Magali, se diz surpreso. "Ele (o pai dos meninos) era um cara manso, pacato."
O membro do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Ariel de Castro Alves, diz que o Conselho Tutelar acompanhava a situação dos irmãos. A conselheira tutelar que cuidou do retorno dos dois para casa não foi localizada pela reportagem.

Fonte: Diario do Grande ABC

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