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País negligencia vírus da família do HIV, dizem pesquisadores

Um vírus da mesma família do HIV está sendo negligenciado no Brasil, segundo o alerta feito na unidade de Farmanguinhos por pesquisadores da Fiocruz.
A estimativa é que dois milhões de brasileiros vivam com o HTLV (vírus linfotrópico para células T humanas) -o maior contingente do mundo. Até 5% dessas pessoas desenvolvem complicações como leucemia, paralisia ou inflamações oculares.


Rafael Andrade/Folhapress
Maria Teresa Borges, portadora do HTLV, em sua casa (RJ)
Maria Teresa Borges, portadora do HTLV, em sua casa (RJ)
"É preocupante, porque são problemas altamente incapacitantes, que provocam grande sofrimento", diz Bernardo Galvão, pesquisador da Fiocruz e professor da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Ele chefiou a equipe que isolou o HIV pela primeira vez no Brasil.
Galvão diz que, apesar de ter sido descoberto em 1980, três anos antes do vírus da Aids, o HTLV não recebeu os mesmos investimentos em prevenção, diagnóstico e tratamento.
"É uma doença extremamente negligenciada."
Para ele, o desinteresse está ligado à falta de perspectiva de retorno financeiro, já que o vírus não é comum na Europa e nos EUA.
A maioria dos infectados está no Brasil, na África subsaariana, no Caribe, no Irã e no Japão. A prevalência é maior entre os mais pobres, em especial mulheres.
A transmissão é igual à do HIV. Ocorre por via sexual, pelo sangue, e de mãe para filho. Uma vez no corpo, ataca as mesmas células do sistema imunológico que o HIV.
Em alguns casos, pode levar à proliferação descontrolada dos linfócitos, causando leucemia. Em outros, chega ao sistema nervoso central. Variados, os sintomas podem demorar a aparecer.
 
PARALISIA

Editoria de Arte/Folhapress
O chefe do laboratório de neuroinfecções do Ipec (Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas), Abelardo Araújo, diz que é comum o paciente apresentar fraqueza nas pernas, que pode evoluir para paralisia. Outras vezes, é uma inflamação nos olhos ou a impotência que leva a pessoa ao médico.
O tratamento é paliativo e varia de acordo com as complicações apresentadas.
Faltam estudos clínicos que indiquem se antirretrovirais hoje usados por pacientes com HIV podem ser úteis para controlar a doença.
Outra lacuna, segundo o gerente do programa de reativos de Bio-Manguinhos, Antônio Ferreira, é a falta de investimento em diagnóstico. Hoje, são poucos os lugares que realizam o teste para detectar o vírus no pré-natal. Nos bancos de sangue, o procedimento é rotina.
O teste disponível no SUS, porém, precisa ser confirmado. "Essa confirmação custa R$ 250 e o SUS não banca", diz Ferreira. Ele ressalta que, se houvesse financiamento, Bio-Manguinhos teria capacidade de desenvolver uma versão nacional do produto. 

Fonte: Folha Equilibrio e Saúde
Créditos da matéria DENISE MENCHEN

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