Ajude nos com sua doação

Translate

Unidades de Polícia Pacificadora completam dois anos em meio a megaoperação no Rio

nspirado nas medidas socioeducativas que reduziram os índices de criminalidade na Colômbia, o programa das Unidades de Polícia Pacificadora, que completará dois anos no próximo domingo (19), mudou significativamente a imagem da Segurança Pública no Rio de Janeiro.
Segundo o governador Sérgio Cabral (PMDB), foram as UPPs que motivaram a onda de violência promovida pelo crime organizado no final de novembro –a terceira nos últimos oito anos. Mais de cem carros foram queimados pelos criminosos e mais de 30 pessoas foram mortas durante a megaoperação promovida pelas forças estaduais e federais, que culminou com a tomada do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio.
Em dois anos, o governo soma 13 unidades de pacificação na capital fluminense e promete para o ano que vem a UPP no Alemão.
No centro dos debates sobre a nova política de segurança pública no Estado, as Unidades de Polícia Pacificadora se tornaram um trunfo para embasar a afirmação das autoridades nos territórios até então dominados pelo tráfico. Além de expulsar criminosos dessas regiões, a ideia é partir de uma perspectiva comunitária, reduzindo a distância entre policiais e moradores.
“A ideia é simples. Recuperar para o Estado territórios empobrecidos e dominados por traficantes. Tais grupos, na disputa de espaço com seus rivais, entraram numa corrida armamentista nas últimas décadas, uma disputa particular na qual o fuzil reina absoluto”, afirma o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame.
De acordo com o colombiano John Marulanda, consultor internacional em Segurança e Defesa, o planejamento de segurança desenvolvido pelo governo estadual se baseia em ações cívico-militares, modelo que surgiu na Inglaterra e posteriormente foi aprimorado pelos Estados Unidos. Para ele, a guerra contra o tráfico de drogas na Colômbia (marcada pela repressão ao cartel de Medellín e pela formação da polícia comunitária, que serviram de base para o projeto das UPPs) tem características distintas se comparada com Brasil e México.

  • Madonna (ao centro) visita a UPP do morro Dona Marta ao lado do governador Sérgio Cabral (PMDB) , em 2009; comunidade foi a primeira a receber uma UPP e virou "cartão de visitas" do governo estadual
“As UPPs são a aplicação de uma velha doutrina de ação cívico-militar, criada pelos britânicos e estruturada pelos americanos. A Colômbia tem um contexto diferente do Brasil e do México. Aqui a guerra foi rural (plantações e laboratórios) e urbana (mercado). No Brasil é somente urbana e diz respeito apenas à questão mercadológica”, afirma Marulanda.
O consultor, entretanto, afirma que o intercâmbio entre os países latinoamericanos (em especial Brasil, Colômbia, Bolívia e Peru) é fundamental no processo de combate ao crime organizado. “México, Colômbia e Brasil podem se ajudar se pensarmos em uma aliança policial e de inteligência para combater o problema de forma integrada. Nós podemos oferecer ao Brasil –e já o estamos fazendo– treinamento para essas unidades especializadas que atuam na guerra contra o narcotráfico.”

A primeira UPP

A trajetória das UPPs começou no dia 19 de dezembro de 2008 com a pacificação do morro Santa Marta, em Botafogo, zona sul do Rio. A comunidade, que tem 54.692 m² e 6.000 moradores, recebeu a primeira turma do curso de especialização da Polícia Militar para regiões pacificadas.
Os 123 recrutas (do 2º BPM de Botafogo e da 10ª Delegacia da Polícia Civil) são comandados até hoje pela capitão Pricilla de Oliveira. Segundo ela, o desafio inicial de cada UPP é ganhar a confiança da comunidade (veja aqui entrevista com a comandante).
A reportagem do UOL Notícias fez uma visita ao Santa Marta no último dia 29 de novembro para conversar com moradores e avaliar se, após dois anos, as mudanças foram significativas para a comunidade.
De acordo com Thiago Firmino, liderança cultural da região, a UPP trouxe segurança para os que moram lá, porém as iniciativas culturais prometidas pelo governo se dão em ritmo lento. “Agora não tenho que levar meu filho à escola, ele já pode descer sozinho. Mas não basta ter apenas polícia. Tem que ter cultura, saúde, enfim... Tudo. Tem que ser um conjunto completo. Já são dois anos de UPP aqui. Não sou contra as UPPs, dou até apoio, mas acho que outras coisas precisam melhorar”, opinou.
Muito antes da pacificação, a comunidade serviu de cenário para o videoclipe da música “They don’t care about us”, do cantor Michael Jackson, em 1996. Treze anos depois, foi a vez da cantora Madonna conhecer o local, acompanhada por uma multidão de fãs e um forte esquema de segurança.
A visita da popstar americana foi tida por muitos como uma estratégia de divulgação internacional do modelo das UPPs. Madonna subiu o morro na companhia do governador Sérgio Cabral e parou para tirar fotos e dar autógrafos em uma espécie de palco montado em frente à base operacional da UPP.
A americana Alicia Keys também reforçou recentemente o time das celebridades pop que já passaram pelo Santa Marta. Ela esteve na comunidade da zona sul carioca em fevereiro deste ano para gravar o videoclipe da música “Put It in a Love Song”. Nos intervalos das gravações, a cantora conversou com policiais e tirou fotos com a capitão Pricilla de Oliveira. Na ocasião, a comandante da UPP destacou a importância das visitas ilustres no Santa Marta.
“O mais importante destas visitas ilustres aqui na comunidade é fazer com que elas percebam que o Rio de Janeiro não é uma cidade conflagrada, muito menos precisa ser uma cidade partida entre morro e asfalto”, disse.
Também atores hollywoodianos, como Hugh Jackman e Sylvester Stallone, também já caminharam pela comunidade. Além disso, a região foi utilizada como cenário para as gravações do longa-metragem “Tropa de Elite 2” e da série “Cidade dos Homens”.
O programa para incentivar o turismo, o “Rio Top Tour”, também foi implementado na comunidade. Cerca de R$ 300 mil foram gastos para o treinamento dos moradores e para sinalização das ruas e vielas. O governo diz que projeto será estendido às demais UPPs.

Valorização imobiliária

A política de pacificação rendeu também uma valorização imobiliária.
No Santa Marta, por exemplo, uma casa de alvenaria passou de R$ 10 mil para R$ 50 mil. Na Tijuca, antes mesmo da UPP, a valorização de imóveis beirou os 30%, de acordo com a Associação Comercial da Tijuca. Já em Copacabana, um levantamento do Sindicato das Empresas do Setor Imobiliário indica que as casas colocadas à venda valem até 50% mais.
Segundo o técnico de informática Valmir Santana, morador do Morro dos Macacos, na zona norte, e que possui outro imóvel à venda no mesmo local, pelo menos três pessoas já se interessaram em fazer negócio após a recente inauguração de uma UPP na região.
“Estou tentando vender essa casa há uns dois anos. Foi só colocarem a UPP que já fiquei sabendo de três ou quatro pessoas interessadas. É uma área boa, que permite fácil acesso ao centro e fica perto de Vila Isabel”, disse.
Os aluguéis também ficaram mais caros. Na primeira comunidade a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora, o Santa Marta, a valorização chegou a 150%, segundo avaliação do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro.

Fonte: Uol notícias.
Créditos: Hanrrikson de Andrade
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro

Categories: , Share

Leave a Reply