Lagos, 3 jan (EFE).- Os presidentes do Benin, Cabo Verde e Serra Leoa além do primeiro-ministro do Quênia viajam para Costa do Marfim numa última tentativa de convencer Laurent Gbagbo a ceder pacificamente o poder a Alassane Ouattara.
A missão, com apoio da Comunidade Econômica para o Desenvolvimento dos Estados da África Ocidental (Cedeao) e a União Africana (UA), "está a caminho" a Abidjan, anunciou nesta segunda-feira à Agência Efe Sunny Ugoh, porta-voz da Comissão da Cedeao, representada pelos três chefes de Estado.
Os presidentes Yayi Boni, do Benin; Pedro Pires, de Cabo Verde, e Ernest Koroma, de Serra Leoa, já estiveram na terça-feira passada na Costa do Marfim e advertiram Gbagbo que a Cedeao poderia utilizar de Força militar caso ele não entregasse o poder a Ouattara, reconhecido pela comunidade internacional como vencedor das eleições presidenciais do dia 28 de novembro.
A missão também tem apoio de Raila Odinga, primeiro-ministro queniano, como enviado da UA, que se reuniu no domingo em Abuja com o presidente nigeriano e titular de turno da Cedeao, Goodluck Jonathan, para coordenar suas posições.
"Não é negociável a permanência de Gbagbo no poder", afirmou o porta-voz da Cedeao.
Jonathan, segundo os jornais nigerianos, disse neste último final de semana que, após a visita, a Cedeao adotará uma decisão definitiva sobre o que fazer na Costa do Marfim, com planos militares de intervenção.
Koroma, presidente de Serra Leoa, indicou que esta visita "será a última" para tentar convencer a Gbagbo para que aceite uma saída pacífica. EFE

Fonte: MSN Notícias.
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Presidente da Costa do Marfim resiste à pressão para renunciar

Por Tim Cocks
ABIDJÃ (Reuters) - O atual presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, disse que vai rejeitar a exigência feita na segunda-feira por chefes de Estado africanos de que ceda o poder a seu rival, o líder oposicionista Alassane Ouattara, para não ser destituído à força.
Quatro líderes representando o bloco regional do oeste africano Ecowas e a União Africana devem se reunir com Gbagbo para lhe pedir que deixe a Presidência, já que os resultados da eleição de 28 de novembro, reconhecidos internacionalmente, mostraram que ele foi derrotado por Ouattara.
Mais de 170 pessoas foram mortas desde o início do impasse no país --o maior produtor mundial de cacau--, o que ameaça fazer ressurgir a guerra civil que dividiu a Costa do Marfim em duas partes, de 2002 a 2003.
Gbagbo está no poder desde 2000 e tem o apoio do principal tribunal do país e das Forças Armadas. Ele vem fazendo pouco caso da pressão para que deixe o cargo e disse na TV estatal, no fim de semana, que Ouattara "não deveria contar com a chegada de Exércitos estrangeiros para torná-lo presidente".
Um porta-voz de Gbagbo disse que ele não concordará em deixar o poder.
A Corte Constitucional da Costa do Marfim, dirigida por um forte aliado de Gbagbo, reverteu os resultados da comissão eleitoral do país, ratificados pela ONU, que indicavam a vitória de Ouattara. A corte alegou fraude em grande escala.
Três dirigentes de países do oeste da África -- Boni Yayi, do Benin, Ernest Bai Koroma, de Serra Leoa, e Pedro Pires, de Cabo Verde - vão retornar a Abidjã depois de uma primeira viagem ao país, na semana passada, que não conseguiu convencer Gbagbo a deixar o cargo.
O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, também integrará o grupo. "Ele será a voz da União Africana", segundo um comunicado divulgado pelo gabinete de Odinga. "Ele vai buscar uma solução pacífica para a crise eleitoral... e uma garantia de segurança para o sr. Laurent Gbagbo e seus partidários, se ele concordar em ceder o poder."
Os EUA e a União Europeia impuseram uma proibição de viagens a Gbagbo e seu círculo de assessores enquanto o Banco Mundial e o banco central regional do oeste da África congelou suas finanças, numa tentativa de enfraquecer sua posição no poder.
Se a Ecowas enviar tropas para o país, isso pode desencadear um conflito aberto com o Exército, que apoia Gbagbo. Os rebeldes no norte marfinense, que tentaram derrubá-lo em 2002, poderão também se envolver na confrontação.
O campo de Ouattara diz que os militares estão divididos e a maioria dos soldados imporia pouca resistência a uma firme demonstração de força.
Mas os líderes do oeste africanos não parecem propensos a levar adiante a ameaça do uso de força por causa do risco de mergulharem numa guerra urbana e pela possível falta de recursos operacionais de inteligência para perseguir Gbagbo e seus partidários durante o conflito.
A ONU também diz que Gbagbo pode ser responsabilizado criminalmente por violações de direitos humanos, incluindo assassinatos e sequestros efetuados pelas forces de segurança do país desde as eleições.