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Premiê do Paquistão pede fim da pressão dos EUA

ISLAMABAD (Reuters) - Os Estados Unidos precisam parar de culpar o Paquistão pela instabilidade regional, afirmou o primeiro-ministro paquistanês em um encontro de líderes políticos do país nesta quinta-feira, em meio ao aumento da pressão de Washington para que a nação sul-asiática ataque militâncias.
"O jogo de culpa deve acabar, e os interesses nacionais do Paquistão devem ser respeitados", afirmou Yusuf Raza Gilani, em comentários transmitidos ao vivo por canais de televisão locais.
Os líderes políticos de todos os partidos do Paquistão se reuniram nesta quinta para discutir as crescentes exigências norte-americanas para que Islamabad ataque militantes islâmicos e a possibilidade de os Estados Unidos adotarem ações militares unilaterais no país.
"Soluções para questões baseadas em percepções devem ser encontradas por meio de negociações significativas. O Paquistão não pode ser pressionado a 'fazer mais'", disse Gilani a autoridades que incluíam o chefe do serviço militar de espionagem do Paquistão, o tenente-general Ahmad Shuja Pasha, e o chefe do Exército, o general Ashfaq Kayani, possivelmente o homem mais poderoso do Paquistão.
"Nossos interesses nacionais devem ser respeitados em todas as circunstâncias. Do nosso lado, todas as portas para negociação estão abertas. Nós desejamos cooperação da comunidade internacional", acrescentou o primeiro-ministro.
O Paquistão argumenta que já fez mais sacrifícios que qualquer outro país na guerra contra a militância, perdendo cerca de 10.000 soldados e membros das forças de segurança.

ALIADOS

Estados Unidos e Paquistão têm sido aliados há décadas, mas a relação é carregada de desconfiança. O Paquistão, considerado crucial para os esforços dos EUA para estabilizar o Afeganistão, costuma ser descrito como um parceiro não confiável.
Desde que os Estados Unidos acusaram alguns membros do governo paquistanês de ajudar militantes anti-EUA, o Congresso norte-americano está reavaliando a promessa feita em 2009 de triplicar a ajuda não militar ao Paquistão para um total de 7,5 bilhões de dólares em cinco anos.
No Congresso dos EUA, cresce o apoio para que seja expandida a ação militar norte-americana no Paquistão além dos ataques teleguiados que já têm como alvo os militantes no território paquistanês, de acordo o senador republicano Lindsey Graham.
Os comentários de Graham, uma voz republicana influente sobre política externa e relações militares, seguem os comentários feitos pelo chefe do Estado-Maior dos EUA, almirante Mike Mullen, que acusou o Paquistão na semana passada de apoiar o ataque de 13 de setembro da rede militante Haqqani contra a embaixada dos EUA em Cabul. A rede Haqqani é aliada do Taliban e acredita-se ter ligações próximas com a Al Qaeda.
Islamabad, que já recebeu bilhões de dólares de ajuda dos EUA apesar da relutância em caçar a rede Haqqani, enfrenta a pressão mais intensa para atacar a militância desde que se juntou à "guerra ao terror" norte-americana há uma década.
Em entrevista à Reuters, o senador Graham disse que os congressistas norte-americanos poderiam apoiar opções militares além dos ataques teleguiados que acontecem há anos no território do Paquistão, o que poderia incluir o uso de aviões de bombardeio norte-americanos dentro do Paquistão.
Contudo, ele não defende o envio de tropas dos EUA ao país.
"Eu diria que quando se trata de defender tropas americanas, você não quer se limitar," afirmou Graham. "Não seria uma batalha de pés no chão (com tropas) - não estou falando isso, mas temos muitas alternativas além dos teleguiados."

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