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Decisão de Senado italiano abre caminho para fim da era Berlusconi

Mario Monti. Foto: AFP
Monti deve suceder Berlusconi, que prometeu 
renunciar após aprovação de pacote
A aprovação pelo Senado italiano nesta sexta-feira de um pacote de reformas econômicas proposto pelo governo abre caminho para a renúncia do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que pode acontecer já neste final de semana.
A matéria foi aprovada com 156 votos a favor e 12 contra. Agora, a expectativa é de que a Câmara dos Deputados vote o pacote no sábado ou no domingo.
Berlusconi, que perdeu a maioria no Parlamento nesta semana, afirmou que deixaria o cargo de primeiro-ministro assim que as reformas fossem aprovadas.
A expectativa é que ele seja substituído pelo ex-comissário da União Europeia (UE) Mario Monti.
O pacote de austeridade é parte dos esforços para tirar a Itália da crescente crise envolvendo sua dívida, que também atinge cada vez mais os países da zona do euro.

Crise

A dívida pública italiana já atinge 120% do PIB (Produto Interno Bruto). Nessa quinta-feira, o governo italiano conseguiu levantar 5 bilhões de euros em novos títulos da dívida, a juros de 6,087% para títulos de um ano.
O correspondente da BBC em Roma Alan Johnston afirma que os líderes italianos estão desesperados para mostrar que podem aprovar o pacote de reformas rapidamente.
Johnston diz ainda que Monti, um respeitado economista, é exatamente o tipo de pessoa que os mercados financeiros gostariam de ver no poder em um momento de crise.
No entanto, analistas afirmam que, mesmo com a aprovação do pacote de reformas e a posse de um primeiro-ministro tecnocrata, a Itália ainda terá dificuldade para equilibrar sua economia.
O pacote de austeridade proposto por Berlusconi prevê uma economia de 59,8 bilhões de euros em cortes de gastos e aumentos de impostos, com o objetivo de equilibrar o orçamento do país até 2014.
Entre as medidas, estão o aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), de 20% para 21%; o congelamento dos salários de servidores até 2014; a alta da idade mínima de aposentadoria para as trabalhadoras do setor privado, de 60 anos em 2014 para 65 em 2026; aperto nas medidas contra a evasão fiscal; e um imposto especial para o setor de energia.

Senador vitalício

Para que Monti pudesse se tornar primeiro-ministro, o presidente italiano, Giorgio Napolitano, deu a ele o posto de senador vitalício.
Ele foi recebido pelos parlamentares no início da sessão desta sexta-feira, mas saiu rapidamente para uma reunião com Napolitano.
Caso a câmara dos Deputados conclua a votação no sábado, o presidente poderá aceitar a renúncia de Berlusconi na noite do mesmo dia. Assim, Napolitano poderia pedir formalmente a Monti - ou a outro candidato - que forme um governo, a fim de contornar a crise econômica.
Na quarta-feira, os juros para títulos da dívida de dez anos chegaram a 7%, mesmo patamar registrado por Grécia, Irlanda e Portugal quando foram obrigados a buscar ajuda financeira do FMI e da UE.
Uma equipe de especialistas da UE já está trabalhando em Roma, monitorando os planos do governo para reduzir sua dívida.
Nos últimos 15 anos, a economia italiana cresceu a uma taxa média anual de 0,75%.

Fonte: BBC

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