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Direto da Rocinha: 'Estão deixando de trabalhar para esperar a polícia em casa', diz morador

Moradores na favela da Rocinha.
Ocupação da Rocinha pode acontecer até domingo,
segundo autoridades
Morador da Rocinha há mais de 30 anos, P.J. conversou com a BBC Brasil pelo telefone para falar sobre a expectativa pela ocupação da comunidade por forças policiais, que devem instalar no local uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).
P.J, que pediu anonimato, concordou em fazer um diário para a BBC Brasil, contando o que se passa no local antes, durante e depois da ocupação. Leia abaixo seu depoimento:

"O clima é de total apreensão, porque está chegando a hora. À noite, você não vê muita gente na rua e os bares estão fechando cedo.
A gente não sabe quando a polícia vai entrar e de que forma vai entrar: se vai ser com truculência ou se vai ser de forma pacífica.
Algumas pessoas que têm lugar para dormir fora da comunidade – em casa de parente, por exemplo –, estão saindo da favela e levando os filhos.
Se eu tivesse condição, também estaria fora. Mas a gente fica com medo de alguém entrar na nossa casa e quebrar tudo.
Tem gente que está deixando de trabalhar e ficando dentro de casa para evitar furtos de eletrodoméstico, como aconteceu no Morro do Alemão, e para receber a polícia quando eles baterem na porta e quiserem fazer revista.
Acho que 80% das pessoas na Rocinha concordam com a estratégia da polícia de avisar antes da invasão. Sem aviso, o banho de sangue seria muito maior.
Só a possibilidade de uma UPP na Rocinha já está fazendo as coisas se valorizarem. Tem casa que custa R$ 60 mil, R$ 70 mil na favela.
Se a UPP entrar aqui, como estão dizendo, as coisas vão se valorizar ainda mais. Vai ter um boom imobiliário aqui. Quem tem sua casa está bem; quem não tem, vai ser difícil comprar.
Eu tenho muito tempo de favela, eu quero ver mudança. Vi meu primeiro cadáver aos oito anos de idade. Quem nunca viu, não viveu a realidade da favela."

Fonte: BBC Brasil

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