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Ingleses cobram renúncia de Blatter por comentários sobre racismo



LONDRES (Reuters) - O ministro do Esporte da Grã-Bretanha, Hugh Robertson, e o líder do sindicato dos jogadores de futebol ingleses, Gordon Taylor, defenderam na quinta-feira a renúncia do presidente da Fifa, Joseph Blatter, após declarações do dirigente suíço que pareceram atenuar o problema do racismo no futebol.
Blatter, de 75 anos, se mostrou "fora de sintonia e fora do seu tempo", na avaliação de Taylor, após afirmar na quarta-feira em duas entrevistas à CNN e à Al Jazeera que não há racismo nos gramados e que jogadores envolvidos em eventuais ofensas deveriam acertar as diferenças com um aperto de mãos ao final da partida.
"Isso passa dos limites", disse Taylor à emissora Sky Sports News. "Falar como ele falou mostra que ele está totalmente fora de sintonia e fora do seu tempo."
"Ele deveria dar lugar a Michel Platini (presidente da Uefa). Se há uma pessoa que deveria entender a questão do racismo é o chefe da Fifa, que tem 200 países no mundo, que são tão diversos e têm origens, cores, culturas e credos diferentes, e se ele não está entendendo então precisa sair."
Questionado sobre se estava propondo a renúncia de Blatter, Taylor disse: "Acho que sem sombra de dúvida".
As declarações de Blatter foram transmitidas no mesmo dia em que a Associação de Futebol da Inglaterra iniciou um processo contra o atacante uruguaio Luis Suárez, do Liverpool, devido a supostas ofensas raciais contra o zagueiro francês Patrice Evra, do Manchester United, no mês passado. Suárez nega a acusação.
A entidade também está investigando suspeitas de que John Terry, do Chelsea, teria proferido xingamentos raciais contra o zagueiro Anton Ferdinand, do Queens Park Rangers. Terry nega as acusações, que estão sendo investigadas também na esfera policial.
O ministro Robertson, perguntado na rádio BBC se Blatter deveria deixar o cargo, disse: "Sim, nós temos dito isso há algum tempo. Isso é incrivelmente sério, mas é apenas parte de um modelo de comportamento."
A imprensa britânica também se insurgiu contra Blatter. O jornal Sun o chamou de "cego" em sua manchete. Já a imprensa continental europeia foi mais comedida com o assunto. A italiana Gazzetta dello Sport, por exemplo, ignorou a polêmica em seu site.
Pelo Twitter, o zagueiro Rio Ferdinand - jogador do Manchester United e da seleção inglesa, e irmão de Anton - foi um dos críticos mais incisivos às declarações de Blatter.
"Seus comentários sobre o racismo são tão condescendentes que são quase risíveis. Se a torcida grita coros racistas, mas aperta as nossas mãos está tudo bem?", escreveu ele. "Eu me sinto estúpido por achar que o futebol estava assumindo um papel de destaque contra o racismo - parece que ele estava apenas calado por um tempo."
ENTREVISTAS POLÊMICAS
Na entrevista à CNN, Blatter disse, quando questionado sobre a existência de racismo no futebol: "Eu negaria. Não há racismo, o que talvez haja seja um jogador contra o outro, ele solta uma palavra ou um gesto que não é o correto".
"Mas também aquele que é afetado por isso deve dizer que é um jogo. Estamos num jogo, e no final do jogo apertamos as mãos, e isso pode acontecer, porque temos trabalhado muito contra o racismo e a discriminação".
À Al Jazeera, Blatter declarou: "Durante uma partida, você pode dizer alguma coisa a alguém que não se parece exatamente com você (...), mas no final da partida é esquecido".
A Fifa depois divulgou nota de Blatter em que ele reitera seu compromisso contra o racismo. "Meus comentários foram mal compreendidos. O que eu quis expressar é que, como jogador de futebol, durante uma partida, você tem 'batalhas' com seus adversários, e às vezes são feitas coisas erradas. Mas normalmente, no final do jogo, você pede desculpas ao seu adversário se você teve um confronto durante o jogo, você aperta as mãos, e, quando o jogo acabou, acabou."
"Agora, quero salientar novamente que não quero diminuir a dimensão do problema do racismo na sociedade e no esporte. Estou comprometido em combater essa praga e chutá-la para fora do futebol."

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