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Mortos na Síria sobem para 5.000 e violência se espalha

AMÃ (Reuters) - Forças de segurança mataram a tiros 17 pessoas na Síria nesta terça-feira, e rebeldes mataram sete policiais em uma emboscada, disseram ativistas, depois que a chefe dos direitos humanos da ONU estimou em 5.000 o número de mortos em nove meses de protestos contra o presidente Bashar al-Assad.
O derramamento de sangue na província de Idlib, no norte, que faz fronteira com a Turquia, destacou o aumento da violência na Síria, onde uma insurgência passou a ofuscar o que começou como protestos pacíficos de rua contra os 11 anos de governo de Assad.
A chefe de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, disse que o número de mortos era 1.000 acima de uma estimativa que ela havia divulgado há 10 dias. Inclui civis, desertores do Exército e os executados por se recusarem a atirar contra civis, mas não os soldados ou pessoal de segurança mortos por forças da oposição.
O governo sírio disse que mais de 1.100 membros do exército, polícia e serviços de segurança foram mortos.
As ações da Síria poderiam constituir crimes contra a humanidade, disse Pillay, pedindo novamente para que o Conselho de Segurança da ONU leve a situação para o Tribunal Penal Internacional.
"Foi o relato mais terrível que tivemos no Conselho de Segurança nos últimos dois anos", disse o embaixador britânico Mark Lyall Grant depois da sessão, que foi agendada apesar da oposição de Rússia, China e Brasil.
O aumento pronunciado no número de mortos deve dar mais peso aos que pedem uma intervenção internacional para estancar o derramamento de sangue na Síria, que alguns acreditam estar seguindo em direção a uma guerra civil.
Assad, de 46 anos, cuja família da minoria alauíta manteve o poder sobre a maioria muçulmana sunita por quatro décadas, enfrenta o mais grave desafio a seu governo. A revolta começou na cidade de Deraa, no sul, em 18 de março.
Uma repressão violenta das forças de segurança não conseguiu parar a revolta - inspirada pelos levantes populares na Tunísia, Egito, Iêmen e Líbia -, que ficou cada vez mais sangrenta nos últimos meses, conforme soldados desertores se uniam a civis armados em algumas regiões.
Amotinados do Exército regular da Síria se uniram para criar o Exército Livre Sírio, cujos membros estão ativos na cidade de Homs e tentam conter os atiradores pró-Asad que buscam intimidar a população.
No último episódio de violência, por volta do amanhecer de terça-feira, as forças de segurança mataram 17 pessoas em Idlib, no norte, incluindo nove mortos em um incidente logo depois do amanhecer, disse o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.
Ativistas na província disseram à Reuters que nove pessoas foram mortas quando moradores da cidade de Kfar Yahmour foram vítimas de um tiroteio depois que queimaram pneus para impedir a passagem de um comboio que levava forças de segurança e membros da milícia pró-Assad.
Outros dois foram mortos e 19 ficaram feridos quando forças de segurança abriram fogo para tentar interromper um funeral.
Segundo o Observatório, desertores atacaram um comboio que levava forças da segurança, matando pelo menos sete pessoas.
Apesar da violência, as autoridades sírias fizeram eleições locais na segunda-feira como parte do que dizem ser um processo de reforma, mas críticos de Assad descreveram a votação como irrelevante.

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